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A educação em Angola: conquistas na alfabetização e em cursos universitários

terça-feira, 24 de maio de 2011

Programas de combate ao analfabetismo apresentam resultados positivos nos últimos anos em Angola num esforço que une governo, ONGs e organismos internacionais. Além disso, o número de estudantes universitários teve aumento de mais de 10 vezes em 9 anos.

Três anos depois do fim da guerra civil, em 2005, são iniciados em Angola programas educacionais em diferentes níveis. Naquela ocasião, a capital Luanda registrou a marca de 38 mil pessoas alfabetizadas para além das crianças em idade de alfabetização em uma população total de 11 milhões de habitantes (dados de 2005). O projeto teve a ONG Alfalit-Angola e o Ministério da Educação como parceiros e contou com o apoio financeiro da Agência Americana para o Desenvolvimento (USAID). O ano de 2005 foi particularmente marcante para a educação em Angola, pois o problema do analfabetismo começou a ser combatido de modo mais veemente. O projeto oferecia a oportunidade de os alunos recém alfabetizados continuarem seus estudos em escolas regulamentares. Previsto para durar até o presente ano, o programa se estendeu para outras províncias. A expectativa do governo é de que a avaliação dos últimos 7 anos apresente um quadro em que as escolas regulares consigam abrigar a todos, inclusive aqueles que não estão em idade escolar.

A estratégia do governo para aumentar o número de alfabetizados é formar um efeito multiplicador em redes de educação. Professores são primeiramente instruídos para aplicar o método pedagógico nas capitais e nas cidades maiores, em seguida, formam turmas em cidades menores. Desses recém formados, alguns se capacitam com o método para poderem levá-lo à diante. A ideia básica não é substituir a escola regular, mas permitir que os alunos então alfabetizados possam ingressar nos institutos de ensino.

Em 2009, Angola integrou ao seu programa o método cubano de alfabetização denominado Sim, eu posso. O programa visa alfabetizar uma pessoa em um tempo de 6 a 8 meses a partir de 65 aulas em vídeos. Com esse reforço, as autoridades de Angola acreditam que seja possível erradicar o analfabetismo até 2014. De acordo com Luísa Grilo, diretora nacional de Educação Geral do Ministério da Educação, o método cubano permite alfabetizar até 1 milhão de pessoas por ano.

Em viagem de 3 dias a Angola, a subsecretária da ONU (Organização das Nações Unidas) para o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) afirmou, em 6 de maio de 2011, que os esforços daquele país para erradicar o analfabetismo caminham de acordo com o previsto. Segundo Rebeca Grynspan, atingir o ensino básico de educação universal é a meta do milênio que demonstra maior avanço por parte dos angolanos. A subsecretária afirmou ainda que poucos países conseguiram avanços tão significativos depois de anos de guerra civil, por isso, Angola pode servir de exemplo para outras nações.  Em seu pronunciamento durante o encontro com o governador de Luanda, José Maria dos Santos, Rebeca Grynspan destacou que a educação contribui para a realização de outras metas do milênio. A mortalidade infantil e materna, assim como doenças transmitidas por contaminação, podem ser reduzidas através da disseminação de informações sobre seu combate. Nesse sentido, a educação, e particularmente a alfabetização, possui um papel preponderante no acesso às informações de saúde pública.

Durante a visita da subsecretária, o governo de Angola afirmou que pretende estruturar uma educação equitativa e de qualidade para todos os cidadãos angolanos até 2015, em estabelecimentos regulares de ensino. O sucesso da campanha de alfabetização dos últimos anos aponta, agora, para a necessidade de institucionalização e formalização dos cursos básicos. Para que os esforços não sejam perdidos é preciso que as autoridades consigam aumentar o número de escolas em todo o país. Uma preocupação do governo se refere à educação das mulheres em particular. De acordo com o ministro da Educação, Npinda Simão, as políticas públicas em Angola devem seguir a orientação da ONU e desenvolver programas específicos para as mulheres.

A educação de nível superior também obteve resultados positivos com o fim da guerra civil. Segundo dados oficiais do governo, no ano de 2002 havia 9 mil alunos matriculados em faculdades angolanas, estatísticas realizadas este ano mostram que atualmente 100 mil pessoas cursam ensino superior em uma população de 18,5 milhões de pessoas (dados de 2009). Para o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e ex-reitor da Universidade Agostinho Neto, Sebastião Teta, esses resultados exprimem bem a demanda do país por recursos humanos qualificados. Por isso, acredita ele, existe a tendência de se aumentar o número de estudantes universitários. Entretanto, a pouca comunicação entre as instituições de ensino superior é ainda uma barreira para a ampliação das faculdades. Sebastião Teta declarou que para combater este problema a Secretaria de Ciência e Tecnologia está organizando um projeto de integração científica de todos os cursos superiores de Angola. A integração será feita com ferramentas tecnológicas em parceria com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

A inflexão ocorrida em Angola com o fim da guerra civil atingiu diversos setores do país. Possivelmente a educação é a área que mais se beneficiou com a paz. Seus resultados são estimulantes para países em situação semelhante, como destacou a subsecretária da ONU. Tanto as ONGs que participam dos projetos educativos, quanto as instituições financiadoras concordam com a veracidade das estatísticas, o que estimularia a confiança para novos empreendimentos. Parte da iniciativa do governo reside na educação de ponta, em parcerias com outros países e intercâmbio de estudantes. Destaca-se, nessa perspectiva, o papel da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), como afirmou o ministro da Educação, países como Brasil e Portugal possuem todas as condições de fazer parte do desenvolvimento da educação em Angola.

 

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