Angola se prepara para profundas mudanças no setor energético

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Através de diversas frentes, Angola pretende nos próximos anos renovar e ampliar sua matriz energética. Atento às responsabilidades ambientais, o país investe em hidrelétricas, biocombustíveis, painéis solares e energia eólica.

Atualmente, Angola está entre os países com menor consumo energético per capita de todo continente africano. Cerca de 70% da população representa apenas 1,5% do consumo total da África. Esses dados colocam Angola entre os países com menos emissão de poluentes do mundo (cerca de 0,04% da soma mundial), devido à produção energética. Ainda sim, o governo se preocupa com a produção de energias renováveis e pretende investir em biocombustíveis. 

Mais de 85% dos recursos disponíveis para a produção de energia até 2017 já estão sendo investidos. A estratégia de longo prazo, passa por aplicar os recursos paulatinamente de modo a investir em infra-estrutura não apenas na produção, mas também na distribuição e consumo.

A primeira etapa do projeto consiste no investimento em hidrelétricas, haja vista o fato de que menos de 4,5% do potencial dessa matriz não é explorado. Para o Ministério da Energia e Água, responsável pela empreitada, Angola possui um potencial hidráulico capaz de aumentar a produção de energia e, simultaneamente, distribuí-la pelo território.

No interior do país, o governo planeja para as comunidades rurais a substituição da queima de carvão para exploração de biomassa. Quase a totalidade dos poluentes angolanos é oriunda da combustão. Com utilização da biomassa, espera-se que as emissões de carbono sejam sensivelmente reduzidas.

Alia-se a essas iniciativas também o ambicioso projeto de energias sustentáveis. Projetos pilotos estão em andamento em algumas cidades de referência. O município de Tombwa, na província da Namibe, no sudoeste do país, teve seu parque eólico recuperado recentemente. Com isso, a integração do sistema energético aumenta de modo que a ligação entre o meio rural e o urbano seja intensificada.

A respeito da energia solar, o município escolhido foi o de Andulo, província de Bié, região rural no interior do país. Em parceria com a organização não governamental CARE-Angola, foram instalados 30 painéis solares que atenderão à população local.

No entanto, a notícia mais marcante nessa temática foi o anuncio oficial do governo nacional de pesados investimentos em biocombustíveis. Similar aos projetos pilotos, a produção de biocombustíveis visa, primordialmente, a integração econômica entre as províncias, sobretudo nas comunidades rurais. Contudo, o impacto na cadeia produtiva é apenas parte do objetivo final. Buscando se tornar o maior produtor nesse setor no continente, os investimentos iniciais são, em si mesmos, importantes para o crescimento econômico. A energia produzida a partir do biocombustível será destinada principalmente à indústria de base e à agricultura.

Na reunião da Rio mais 20, Maria de Fátima Jardim, ministra do Meio Ambiente de Angola, comentou as novas perspectivas de seu país. Para a ministra, os investimentos em novas fontes de energia não podem ser dissociados da responsabilidade ambiental. Maria de Fátima Jardim defendeu que as hidrelétricas em vias de construção devem possuir um tamanho compatível com a preservação ambiental. Afirmou ainda que já foram identificados 45 locais onde podem ser instaladas minihidrelétricas, de baixo impacto ambiental.

No dia 11 de julho, o Conselho de Administração de Angola LNG (Gás Natural Liquefeito) apresentou, em reunião na Coréia do Sul, as perspectivas de exploração dessa fonte energética. Antônio Órfão, presidente do Conselho, destacou o potencial de seu país no que se refere à produção de energia limpa. De acordo com Antônio Órfão, os novos investimentos em gás natural não apenas ampliarão a matriz energética de Angola, mas principalmente reduzirão a emissão de gases de efeito estufa devido à substituição da queima desmedida pela utilização racional do gás.

De fato, em diversas linhas de atuação, Angola se prepara para alterar radicalmente a base de suas fontes de energia. Os próximos anos serão decisivos para a reformulação de todo o setor. Uma vantagem comparativa pode ser identificada. Diferentemente da maioria dos países, Angola ainda não possui um parque energético plenamente desenvolvido. Por isso, neste momento, é possível que o país desfrute de tecnologias mais avançadas. O atraso relativo agora se mostra um potencial não apenas tecnológico, mas sobretudo, ecologicamente mais adequado às crescentes demandas mundiais.    

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