UFF - Universidade Federal Fluminense

Moçambique na euforia dos recursos naturais: descoberta mina de ferro em Tete

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A ministra dos recursos minerais de Moçambique, Esperança Bias, revelou em reunião do Conselho Coordenador do pelouro que dirige, que cerca de cinco milhões de reservas de ferro-vanádio e titânico foram descobertos recentemente na província de Tete no centro do país.

Falando na abertura do Conselho Coordenador do Ministério dos Recursos Minerais de Moçambique, realizado na vila de Moatize na província central de Tete, a ministra do pelouro, Esperança Bias, anunciou que cerca de cinco milhões de reservas de ferro-vanádio e titânico foram descobertos e inventariados durante as atividades de prospecção e pesquisa levadas a cabo por técnicos de sua instituição.
De acordo com  o diário Notícias,  editado na capital moçambicana Maputo, a titular da pasta dos  minerais revelou que neste momento decorrem trabalhos de conclusão do estudo de pré-viabilidade a ser finalizado ainda no ano corrente. A fase posterior vai priorizar a construção de uma fábrica de fundição de ferro na zona de Tenge, a cerca de 50 quilômetros da cidade de Tete. Para a governante, “Em 2016 prevê-se, então, o lançamento da indústria pesada de produção de ferro e aço em Moçambique, com um investimento avaliado em cerca de US$690 milhões ”, afirmou Esperança Bias.
Falando a margem do evento, a ministra assegurou ainda que até finais do ano em curso serão concluídos os estudos de viabilidade técnica - econômica para a exploração dos fosfatos de Evate no distrito do Monapo, na província de Nampula, localizada ao norte, e da sua utilização num complexo químico para a produção de fertilizantes, que poderá vir a ser construído em Nacala, distrito da mesma província. Para persecução deste projeto será aloucado investimento avaliado em cerca de US$3 bilhões.
Vale observar, que as reservas de fosfato de Evate são consideradas das maiores do mundo, podendo ocupar a terceira posição na escala global, o que significa que a província deverá entrar no ranking dos maiores produtores deste recurso no planeta. Este projeto, para além de dar uma nova dinâmica social e econômica ao distrito de Monapo, e à província de Nampula, vai ajudar a resolver o problema de fertilizantes no país. Cabe referir que, de modo geral, o mundo enfrenta nos dias de hoje uma escassez de fertilizantes, razão pela qual Moçambique se coloca numa rota privilegiada e com um vasto mercado ao seu dispor. Vale dizer, que parte dos fertilizantes a ser produzidos destina-se a abastecer o mercado chinês e brasileiro.
Nesta mesma província  está igualmente a ser implantado o projeto de areias pesadas de Angoche,  pertencente a uma empresa chinesa, cujos investimentos não foram  ainda revelados.  Nampula também têm se distinguindo pela ocorrência de pedras preciosas e semipreciosas, como turmalinas simples, águas marinhas e ouro. Estes recursos têm atiçado a cobiça de alguns estrangeiros, que incitam cidadãos  locais a fazerem o garimpo para depois venderem o produto a preços baixos. As turmalinas Paraíba são o principal atrativo de individuos vindos de países vizinhos, bem como do centro e norte de África. Pela sua cor inconfundível e raridade, a turmalina Paraíba é a gema dos sonhos para os amantes da alta joalheria. A pedra preciosa é uma variação da turmalina tradicional e foi encontrada pela primeira vez no final dos anos 80, no Estado da Paraíba, no Brasil. Seu incomparável azul esverdeado, sua luminosidade e beleza atraíram a atenção de todo o mundo. A tonalidade mais valorizada é a denominada “azul néon”, extremamente intensa e brilhante. Um grama da turmalina Paraíba pode ultrapassar US$100 mil. Mais rara e mais cara do que a maioria dos diamantes, a pedra está entre as dez gemas mais caras do mundo. Cada quilate chega a valer US$ 50mil.  Entretanto, a luz da grande abundância de recursos naturais no país, o Jornal Noticias, informou que uma pesquisa encomendada pela Confederação das Associações Econômicas de Moçambique (CTA) e apresentada ao Banco de Moçambique (BM) alerta para o risco de a economia nacional poder vir a ressentir-se negativamente pelo excesso destas riquezas se não forem adotadas medidas para conter o impacto da volatilidade dos preços das matérias-primas no mercado internacional. O mesmo estudo revela que  recursos naturais como o carvão e gás geram receitas rapidamente para o Estado, mas os seus preços no mercado mundial são extremamente voláteis, o que concorre para que países como Moçambique, com pouca diversificação da produção e com grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) vindo da venda de matérias-primas, sofram grandes oscilações nas receitas e no crescimento per capita.
 A riqueza de recursos cria incentivos para o país contrair empréstimos e gastar; cria uma falsa sensação de segurança, encorajando investimentos ruinosos; aumenta empregos, expande os programas sociais, entre outros aspectos. Nesse sentido, uma alteração do preço das matérias-primas pode tornar-se num problema para a economia. A pesquisa revela também que as receitas extraordinárias oriundas da exploração de recursos naturais podem afetar a governança, levando à corrupção e má gestão política e, consequentemente, prejudicar o crescimento.
Cabe finalmente referir, que diversas personalidades internacionais, acadêmicos, incluindo o OPLOP ( ver: http://www.oplop.uff.br/conteudo/os-mocambicanos-maldicao-dos-recursos-n...)  tem vindo a emitir opinião alertando ao governo e a sociedade de modo geral sobre os impactos da abundância de recursos naturais caso não sejam desenhadas estratégias condizentes.

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