Intensifica-se Cooperação entre Moçambique e China

terça-feira, 3 de maio de 2011

A confirmar o excelente momento que caracteriza a cooperação bilateral entre a Republica de Moçambique e a Republica popular da China, foi inaugurado em Maputo, no passado dia 23 de abril, um Estádio desportivo com capacidade para 42 mil espectadores. A infra-estrutura erguida constitui o maior empreendimento desportivo naquele país africano depois da sua independência nacional em 1975. Esta construção insere-se no quadro dos acordos de cooperação entre os governos de Moçambique e da China. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 57 milhões, desembolsados pelo Executivo chinês, o novo e majestoso Estádio Nacional do Zimpeto possui uma arquitetura moderna. A inauguração contou com a presença do presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, acompanhado por membros do governo e também pelo Embaixador da China em Maputo, Huang Songfu.

Em uma cerimônia marcada por um enorme simbolismo político nas relações bilaterais entre Moçambique e a China, foi inaugurado, no passado dia 23 de abril, na cidade de Maputo, capital moçambicana, um Estádio Nacional desportivo com capacidade para albergar cerca de 42 mil espectadores. Este empreendimento foi totalmente construído e financiado pelo governo chinês à luz dos acordos de cooperação existentes entre os dois países.  O ato solene foi testemunhado por milhares de pessoas e contou com a presença do presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, que se fez acompanhar por membros do governo e também pelo Embaixador da China em Maputo Huang Songfu.

Ao usar da palavra o chefe de Estado moçambicano fez questão de sublinhar a importância da cooperação com a China. Para o presidente, a China é um parceiro histórico de Moçambique: “A China foi sempre amiga de Moçambique”, observou o estadista moçambicano.

Vale lembrar que as relações entre Moçambique e a China datam da década de 1960, altura em que a China ofereceu apoio a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde 1975, na luta armada contra o colonialismo português. Tendo em atenção as potencialidades do país em recursos naturais, Pequim tem vindo a alargar e reforçar os laços com Moçambique em todos os setores que tenham ou possam vir a ter algum interesse para a economia chinesa. Deste modo, perdoou parte significativa da divida moçambicana que deveria ter sido paga ate 1999, para além de um apoio assinalável a alguns projetos. A par destas iniciativas o governo chinês pratica ativamente a chamada “diplomacia comercial”, utilizando a sua chancelaria em Maputo para colher informações sobre oportunidades de negócios. Nesse sentido, no ano de 2006, a quando da visita do presidente moçambicano Guebuza, à China, o mandatário chinês, Hun Jiantao, anunciou a inclusão de Moçambique na lista dos destinos turísticos aprovados pelo governo como forma de reforçar a cooperação entre os países e estimular o desenvolvimento mútuo.

A confirmar este momento intenso nas relações entre Maputo e Pequim,  ao fim do passado mês de abril, uma importante delegação do Partido Comunista Chinês (PCC) assinou com Moçambique seis acordos de cooperação em rádio, cinema e televisão, para o estabelecimento do Instituto Confúcio. A instituição, voltada para a difusão da língua e cultura chinesa, para além do fortalecimento da cooperação com China, atuará no país tendo em vista o fornecimento de equipamentos, medicamentos contra a malária e também no sector da energia, informou o “diário notícias”, de Maputo.

Chefiada por Li Changchun, membro permanente do bureau político do comitê central do PCC, a delegação oficializou a intenção de instalar uma  Rádio Internacional da China, que irá emitir em língua portuguesa.

Intervindo na passada semana a propósito desta visita, Lei Tongli, conselheiro da embaixada da China em Moçambique, disse que a comitiva iria anunciar também a intenção da do país em construir uma pequena barragem em território moçambicano e em envolver-se na difusão da televisão digital. De acordo com o diplomata, os vários acordos a serem rubricados durante a visita vão vigorar até 2014.

No decurso da sua visita a Maputo, a delegação do PCC participou na inauguração da loja da Star Times, empresa chinesa que entrou no mercado moçambicano ao abrigo de uma parceria com investidores locais e que vai comercializar serviços de televisão digital.

Pese embora o bom ambiente que se vive na cooperação entres os países acima referidos, alguns analistas são céticos em relação às reais pretensões do gigante asiático em Moçambique, tendo em vista às vantagens comparativas que podem resultar das parecerias que se estabelecem.

Este ceticismo por parte dos analistas é originado pelas evidências de que a cooperação entre China e Moçambique seja afetada e determinada por uma complexa equação de relações, pressões, tensões e competição, que envolvem os diferentes países africanos, as economias emergentes (com destaque, além da China, para o Brasil e a Índia) e as restantes economias mundiais. Isto quer, portanto, dizer que um entendimento acerca das iniciativas chinesas demanda um enquadramento nessa complexa equação de relações, tensões, pressões e competição múltiplas e que se afetam mutuamente.

 Todavia, a questão da abordagem das economias emergentes não se pode circunscrever a mostrar que, além da China, há outros intervenientes no processo, como, por exemplo, a Índia e o Brasil. A questão interessante é perceber como é que estes intervenientes se afetam mutuamente e como é que os países africanos (Moçambique neste caso) podem influenciar e estruturar as relações com essas economias.

De acordo com uma corrente de economistas moçambicanos, o país tem sido apresentado como um alvo de grande expansão da China. Para estes, se as notícias dos jornais internacionais e nacionais fossem todas verdadeiras, Moçambique estaria a receber atualmente mais de US$ 1 bilhão por ano de créditos ao governo e investimento privado chinês. O problema é que a informação sobre as relações com a China é extremamente escassa, contraditória e exagerada num sentido ou noutro. O mundo das relações China-Moçambique é quase impenetrável, às vezes assemelhando-se a uma sociedade secreta.

Evidentemente, isto cria dificuldades à problematização e estudo das relações com a China e minimiza as possibilidades dos atores moçambicanos não governamentais (acadêmicos, analistas, grupos de pressão e cidadãos comuns) poderem entender o que se passa e contribuir para que esta relação seja mais útil para o país.

 

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